não tente fazer isso em casa.
ou, se quiser tentar, garanta, antes, uma ambulância...
3.11.09
30.10.09
hijos del punk
em 90, quando começaram a carreira em Bogotá, os Aterciopelados se apresentavam como uma banda de punk rock.
faltava-lhes reconhecer (e dizer) "mais uma"; afinal, eram punk rock apenas na sonoridade (o que milhões, mundo afora, faziam igual, replicando seus ídolos), mas não o eram na essência, que, no caso do punk, compreende, antes e acima de tudo, transgressão, algo que só foram compreender - e, oba, aplicar - em 93, produzindo o esplêndido cd Con el Corazón En la Mano, no qual abriram suas veias, deixando seu sangue latino escorrer à guisa de bem temperado molho para a massa sonora do punk rock - e dá-lhe cumbias, boleros, guarânias, rumbas e outros ritmos pra entortar os ossos do freguês.
numa só bordoada, criaram identidade artística e, assim como The Clash em London Calling, transgrediram o próprio conceito punk.
mas, foda-se o meu blá-blá-blá.
pra entender melhor, oiça ai uma pedrada (em certas tipas pelaí) do album La Pipa de la Paz, de 97.
em 2005, Andrea Echeverri, a vocalista, guitarrista e compositora dos Aterciopelados, gravou seu primeiro (e homônimo) disco solo.
não, a banda não acabou. pelo contrário, Andrea fez isso exatamente para dar à banda (bem como a si e aos parceiros) um saudável refresco da rotina mantida há anos, para o que, inclusive, mudou completamente de estilo, ou gênero, aproximando-se, veja você, muito mais do significado do nome de sua banda ("aveludados").
aliás, não veja nada, oiça - no caso, a canção/declaração de amor que fez para seu primeiro hijo (e, pode-se dizer, mais um do punk).
há quem prefira a porrada, há quem prefira a doçura.
eu fecho com ambas - e viva a hibridez!
faltava-lhes reconhecer (e dizer) "mais uma"; afinal, eram punk rock apenas na sonoridade (o que milhões, mundo afora, faziam igual, replicando seus ídolos), mas não o eram na essência, que, no caso do punk, compreende, antes e acima de tudo, transgressão, algo que só foram compreender - e, oba, aplicar - em 93, produzindo o esplêndido cd Con el Corazón En la Mano, no qual abriram suas veias, deixando seu sangue latino escorrer à guisa de bem temperado molho para a massa sonora do punk rock - e dá-lhe cumbias, boleros, guarânias, rumbas e outros ritmos pra entortar os ossos do freguês.
numa só bordoada, criaram identidade artística e, assim como The Clash em London Calling, transgrediram o próprio conceito punk.
mas, foda-se o meu blá-blá-blá.
pra entender melhor, oiça ai uma pedrada (em certas tipas pelaí) do album La Pipa de la Paz, de 97.
em 2005, Andrea Echeverri, a vocalista, guitarrista e compositora dos Aterciopelados, gravou seu primeiro (e homônimo) disco solo.
não, a banda não acabou. pelo contrário, Andrea fez isso exatamente para dar à banda (bem como a si e aos parceiros) um saudável refresco da rotina mantida há anos, para o que, inclusive, mudou completamente de estilo, ou gênero, aproximando-se, veja você, muito mais do significado do nome de sua banda ("aveludados").
aliás, não veja nada, oiça - no caso, a canção/declaração de amor que fez para seu primeiro hijo (e, pode-se dizer, mais um do punk).
há quem prefira a porrada, há quem prefira a doçura.
eu fecho com ambas - e viva a hibridez!
29.10.09
frente e versão
música: There She Goes
original (vigorosa, machinha), com The La's (pronuncia-se lás, não éleis), banda dileta e inspiradora de Noel Gallagher, da também britânica Oasis.
The La's, como banda, durou pouco [83-92, um só disco]. sua música, não.
permita-se.
caputz: Lee Mavers (vocal, violão e letras), hoje, tá parecido com Mick Jagger , mas, vê-se nesse reencontro + ou - recente, não vai ao mesmo dentista do pedrinha rolante...
versão (fofinha): Sixpence None the Richer, que também durou um só disco, embalada por essa regravação.
nunca mais tocou essa versão, devido à conversão.
pois é, virou banda de "rock cristão", seja lá que cazzo isso signifique...
não daria seis centavos pra conferir.
a "irmãzinha" Leigh Bingham Nash, tá, tem lá o seu charme, mas não o bastante para, pela caretice, inibir o meu bleargh...
bueno, ficou, ao menos, o registro.
permita-se também.
original (vigorosa, machinha), com The La's (pronuncia-se lás, não éleis), banda dileta e inspiradora de Noel Gallagher, da também britânica Oasis.
The La's, como banda, durou pouco [83-92, um só disco]. sua música, não.
permita-se.
caputz: Lee Mavers (vocal, violão e letras), hoje, tá parecido com Mick Jagger , mas, vê-se nesse reencontro + ou - recente, não vai ao mesmo dentista do pedrinha rolante...
versão (fofinha): Sixpence None the Richer, que também durou um só disco, embalada por essa regravação.
nunca mais tocou essa versão, devido à conversão.
pois é, virou banda de "rock cristão", seja lá que cazzo isso signifique...
não daria seis centavos pra conferir.
a "irmãzinha" Leigh Bingham Nash, tá, tem lá o seu charme, mas não o bastante para, pela caretice, inibir o meu bleargh...
bueno, ficou, ao menos, o registro.
permita-se também.
27.10.09
26.10.09
o 'papel' do papel [final]
péssimo, eu sei, esse atraso.
mas não tive como, antes, postar a parte final dessa 'cobertura' da 1ª Conferência Livre de Comunicação para a Cultura, ocorrida, mês passado, em Chã Grande, Pernambuco.
hay perdón?
se sim, grato; se não, tipo foda-se.
cada um faz o que pode, afinal.
perde-se o fio da meada, fica uma merda de escrever, mas, aproveitando um feriadinho (dia do servidor público) aqui antecipado para hoje, simbora cabá.
com boa parte dos empresários de mídia fora (voluntariamente, frise-se) da organização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação - Confecom, restaram, representando o meio corporativo, as operadoras de telefonia celular, interessadíssimas que estão no uso de suas plataformas para produção e transmissão de conteúdo informativo e cultural (sic), de entretenimento, cousa e tal.
apesar do, reitero, intere$$e de tais empresas, bom que haja um 'racha' entre espécimes de um mesmo e tilintante habitat, equilibrando um cadinho mais as reivindicações e, se der, conquistas dos demais participantes, representantes do poder público e da sociedade civil.
aos interessados na comunicação como ferramenta de integração e, se der, de evolução do bando (como povo, digo), apenas o cuidado pra não se trocar de adversário.
sejamos, pois, democráticos, cedendo aqui pra ganhar ali, ao contrário da já secular prática de ceder aqui e ali pra perder menos acolá e alhures e algures...
com a saída daqueles que são simpáticos à lógica política de churchill - "Sou favorável à democracia, mas desde que todos concordem comigo"... -, estabeleceu-se o critério mais justo de participação: 1/3 para cada lado (empresas, poder público e sociedade civil), e, no caso de impasse, 50% dos votos mais 1.
agora é organizar as etapas municipais e estaduais da Confecom, nas quais serão eleitos os delegados para a etapa nacional, e o Ministério da Cultura dará todo o suporte para a realização destas, para o que destacou 12 pessoas de seus quadros, cada qual cobrindo duas edições em locais distintos - sei que a matemática não bate, então explico: 3 estados não realizarão edições regionais, sobrando, pois, 24 a serem cobertos.
sou um desses doze quadros, cabendo-me a cobertura de Goiânia e Curitiba, e o que acontecer "lás", ainda que com atraso, reportarei aqui - afinal, deve ter umas 12 pessoas interessadas no assunto...
agora meu 'papel' será o de meramente coordenar, dar suporte à organização, sem direito a voz, tampouco a voto, nas plenárias.
assim, será uma torcida fodida para que a proposta que eu e outros jurássicos fizemos e aprovamos na plenária da conferência de Chã Grande em favor da comunicação impressa independente (zines, cordéis, hq e livros), seja defendida por outros dinossauros que, tá, não negam a importância do digital (tô eu aqui, num blogue, afinal), mas dão ao papel igual valor.
depois, se encaminhada pra etapa nacional, lutar pela sua aprovação.
em isso acontecendo, vai pro congresso. mais luta.
se passar, aí, enfim, o autógrafo do homem tornando lei.
como disse na primeira postagem, não vai ser fácil - e, para mim, especialmente difícil ficar quieto, não mais poder participar diretamente, limitando-me à coordenação dos trabalhos...
mas, cazzo, quem disse que não é possível?
torçamos, os que prezam o papel, pelos "loucos", "obsoletos" e afins...
a boa notícia é: conheci e trabalhei com alguns desses, que estarão na etapa nacional com direito a voz e voto, e nenhum é "famoso" por desistir.
em tempo, uma última razão para minha defesa (e de outros esquisitos pelaí) do papel: quer para produção ou para recepção de conteúdo, apenas 20 milhões de brasileiros têm acesso regular à uébi.
tudo, nesse universo de silício, é fruto de equações matemáticas, as quais estão fundamentadas em cálculos, regras e postulados registrados, inicialmente, com gravetos que eram mergulhados nalgum tipo de tinta e aplicados em tecidos e, depois, em papiros.
nada, no conceito das equações, mudou, apenas as formas ("veículos") onde esse conceito foi/é registrado.
lutar pelo papel é, pois, mais que uma questão de respeito aos mais velhos, de equilíbrio para o aprendizado dos mais jovens, muitos dos quais certamente envelhecerão sem ter um lap top, ao contrário da privilegiada minoria - mas que, representando a sociedade civil nestas conferências, é maioria - que, ao ouvir a palavra papel, torce o nariz, agredida que se sente em sua compulsão pelo "novo" - e, sabe quem lê os livros certos (não só os manuais das maravilhas eletrônicas), nada mais arcaico (e ditatorial; logo, temível) que a exclusividade...
e, confesso, quando vejo, justa e especialmente, essa gente falar de inclusão (digital, social, sei lá o quê), sinto um misto de tédio e fúria impotente.
mas, simbora.
com paciência e cuspe, afinal, tudo se resolve.
provocação: quero ver alguém fazer papel com um computador...
ps -aproveitei a folguinha e - aleluia! - respondi a todos os comentários aqui feitos desde a postagem de nome "o macho sensível".
mas não tive como, antes, postar a parte final dessa 'cobertura' da 1ª Conferência Livre de Comunicação para a Cultura, ocorrida, mês passado, em Chã Grande, Pernambuco.
hay perdón?
se sim, grato; se não, tipo foda-se.
cada um faz o que pode, afinal.
perde-se o fio da meada, fica uma merda de escrever, mas, aproveitando um feriadinho (dia do servidor público) aqui antecipado para hoje, simbora cabá.
com boa parte dos empresários de mídia fora (voluntariamente, frise-se) da organização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação - Confecom, restaram, representando o meio corporativo, as operadoras de telefonia celular, interessadíssimas que estão no uso de suas plataformas para produção e transmissão de conteúdo informativo e cultural (sic), de entretenimento, cousa e tal.
apesar do, reitero, intere$$e de tais empresas, bom que haja um 'racha' entre espécimes de um mesmo e tilintante habitat, equilibrando um cadinho mais as reivindicações e, se der, conquistas dos demais participantes, representantes do poder público e da sociedade civil.
aos interessados na comunicação como ferramenta de integração e, se der, de evolução do bando (como povo, digo), apenas o cuidado pra não se trocar de adversário.
sejamos, pois, democráticos, cedendo aqui pra ganhar ali, ao contrário da já secular prática de ceder aqui e ali pra perder menos acolá e alhures e algures...
com a saída daqueles que são simpáticos à lógica política de churchill - "Sou favorável à democracia, mas desde que todos concordem comigo"... -, estabeleceu-se o critério mais justo de participação: 1/3 para cada lado (empresas, poder público e sociedade civil), e, no caso de impasse, 50% dos votos mais 1.
agora é organizar as etapas municipais e estaduais da Confecom, nas quais serão eleitos os delegados para a etapa nacional, e o Ministério da Cultura dará todo o suporte para a realização destas, para o que destacou 12 pessoas de seus quadros, cada qual cobrindo duas edições em locais distintos - sei que a matemática não bate, então explico: 3 estados não realizarão edições regionais, sobrando, pois, 24 a serem cobertos.
sou um desses doze quadros, cabendo-me a cobertura de Goiânia e Curitiba, e o que acontecer "lás", ainda que com atraso, reportarei aqui - afinal, deve ter umas 12 pessoas interessadas no assunto...
agora meu 'papel' será o de meramente coordenar, dar suporte à organização, sem direito a voz, tampouco a voto, nas plenárias.
assim, será uma torcida fodida para que a proposta que eu e outros jurássicos fizemos e aprovamos na plenária da conferência de Chã Grande em favor da comunicação impressa independente (zines, cordéis, hq e livros), seja defendida por outros dinossauros que, tá, não negam a importância do digital (tô eu aqui, num blogue, afinal), mas dão ao papel igual valor.
depois, se encaminhada pra etapa nacional, lutar pela sua aprovação.
em isso acontecendo, vai pro congresso. mais luta.
se passar, aí, enfim, o autógrafo do homem tornando lei.
como disse na primeira postagem, não vai ser fácil - e, para mim, especialmente difícil ficar quieto, não mais poder participar diretamente, limitando-me à coordenação dos trabalhos...
mas, cazzo, quem disse que não é possível?
torçamos, os que prezam o papel, pelos "loucos", "obsoletos" e afins...
a boa notícia é: conheci e trabalhei com alguns desses, que estarão na etapa nacional com direito a voz e voto, e nenhum é "famoso" por desistir.
em tempo, uma última razão para minha defesa (e de outros esquisitos pelaí) do papel: quer para produção ou para recepção de conteúdo, apenas 20 milhões de brasileiros têm acesso regular à uébi.
tudo, nesse universo de silício, é fruto de equações matemáticas, as quais estão fundamentadas em cálculos, regras e postulados registrados, inicialmente, com gravetos que eram mergulhados nalgum tipo de tinta e aplicados em tecidos e, depois, em papiros.
nada, no conceito das equações, mudou, apenas as formas ("veículos") onde esse conceito foi/é registrado.
lutar pelo papel é, pois, mais que uma questão de respeito aos mais velhos, de equilíbrio para o aprendizado dos mais jovens, muitos dos quais certamente envelhecerão sem ter um lap top, ao contrário da privilegiada minoria - mas que, representando a sociedade civil nestas conferências, é maioria - que, ao ouvir a palavra papel, torce o nariz, agredida que se sente em sua compulsão pelo "novo" - e, sabe quem lê os livros certos (não só os manuais das maravilhas eletrônicas), nada mais arcaico (e ditatorial; logo, temível) que a exclusividade...
e, confesso, quando vejo, justa e especialmente, essa gente falar de inclusão (digital, social, sei lá o quê), sinto um misto de tédio e fúria impotente.mas, simbora.
com paciência e cuspe, afinal, tudo se resolve.
provocação: quero ver alguém fazer papel com um computador...
ps -aproveitei a folguinha e - aleluia! - respondi a todos os comentários aqui feitos desde a postagem de nome "o macho sensível".
15.10.09
o 'papel' do papel [3]
não deu pra postar a continuação desta matéria na sexta, como disse que o faria.
perdão.
voltando.
tenho acompanhado o processo de realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação -Confecom desde o comecinho, participando das reuniões para discussão de seu regimento, logística e agenda, e posso afirmar: não foi, não tem sido e não será fácil realizá-la.
velhas práticas tentando contaminar o novo.
representantes de $inhá mídia quiseram, desde o início, fazer valer os seus interesses, o que é muito natural - afinal, representantes da sociedade civil e do poder público também o fizeram, fazem.
tenho acompanhado o processo de realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação -Confecom desde o comecinho, participando das reuniões para discussão de seu regimento, logística e agenda, e posso afirmar: não foi, não tem sido e não será fácil realizá-la.
velhas práticas tentando contaminar o novo.
representantes de $inhá mídia quiseram, desde o início, fazer valer os seus interesses, o que é muito natural - afinal, representantes da sociedade civil e do poder público também o fizeram, fazem.
a diferença, entretanto, é que os primeiros se creem donos de exclusivos privilégios, de direitos não instituídos, mas adquiridos e praticados por muuuuito tempo, com a conveniente, ou, mais comum, conivente omissão de governantes com os quais mantinham bem ativo um processo de retro-alimentação de phoder.
um bom exemplo da (im)postura do baronato midiático: na representatividade do poder de voto, queriam 40% para si, 40% para a sociedade civil e 20% para o poder público. e mais: para aprovação de uma proposta, que os votos compreendessem 50% do total, mais 2 votos.
traduzindo a intenção: aprovar apenas aquilo que fosse de seu intere$$e, o que, matematicamente, seria muito fácil, considerando-se a óbvia maioria de votos do grupo interessado, mais a concordância de uns e outras do poder público, concordância não muito difícil de se adquirir, quer pela comunhão de interesses (afinal, quantos, no Congresso, também têm seus próprios veículos midiáticos?), quer pela lembrança do tácito acordo de permanente "colaboração" que baronato e algumas "incelenças" mantêm, o qual, se não for cumprido, autoriza a parte prejudicada a jogar para a torcida os podres de quem roeu a corda...
se realizada dessa maneira, a conferência seria apenas uma encenação de como se democratizar a comunicação, na qual a sociedade civil seria um coadjuvante de luxo, servindo apenas para os protagonistas poderem alegar que, sim, houve oposição ao acordo de cavalheiros travestido de "maioria de votos" com que, democrática e (agora) oficialmente, fizeram valer seus "direitos".
logo, esse modelo foi rechaçado, e o óbvio foi contraproposto: 1/3 de representação para cada setor, e uma proposta, em caso de impasse, será aprovada com 50% do total, mais 1 voto, ao que responderam:
- "se vocês (leia-se governo) derem aos blogs, aos movimentos populares de comunicação e às rádios comunitárias esse poder todo, criarão um "paredão" público contra nós, o que é inadmissível - logo, se isso for mantido, saíremos da organização da conferência".
e saíram mesmo.
um bom exemplo da (im)postura do baronato midiático: na representatividade do poder de voto, queriam 40% para si, 40% para a sociedade civil e 20% para o poder público. e mais: para aprovação de uma proposta, que os votos compreendessem 50% do total, mais 2 votos.
traduzindo a intenção: aprovar apenas aquilo que fosse de seu intere$$e, o que, matematicamente, seria muito fácil, considerando-se a óbvia maioria de votos do grupo interessado, mais a concordância de uns e outras do poder público, concordância não muito difícil de se adquirir, quer pela comunhão de interesses (afinal, quantos, no Congresso, também têm seus próprios veículos midiáticos?), quer pela lembrança do tácito acordo de permanente "colaboração" que baronato e algumas "incelenças" mantêm, o qual, se não for cumprido, autoriza a parte prejudicada a jogar para a torcida os podres de quem roeu a corda...
se realizada dessa maneira, a conferência seria apenas uma encenação de como se democratizar a comunicação, na qual a sociedade civil seria um coadjuvante de luxo, servindo apenas para os protagonistas poderem alegar que, sim, houve oposição ao acordo de cavalheiros travestido de "maioria de votos" com que, democrática e (agora) oficialmente, fizeram valer seus "direitos".
logo, esse modelo foi rechaçado, e o óbvio foi contraproposto: 1/3 de representação para cada setor, e uma proposta, em caso de impasse, será aprovada com 50% do total, mais 1 voto, ao que responderam:
- "se vocês (leia-se governo) derem aos blogs, aos movimentos populares de comunicação e às rádios comunitárias esse poder todo, criarão um "paredão" público contra nós, o que é inadmissível - logo, se isso for mantido, saíremos da organização da conferência".
e saíram mesmo.
coincidentemente, essa silenciosa aliança se deu na mesma semana em que duas emissoras de tv, pública, ruidosa e mutuamente, para delícia dos pascácios, prestavam-se a mais um round de pugilato "denuncista".
também coincidentemente, o ministro das comunicações, hélio costa, durante uma entrevista, sugeriu que as pessoas - jovens, em especial - deveriam perder menos tempo com a internet, dedicando mais tempo à leitura de jornais, vendo mais tv...
continua - e termina - amanhã.
ps - tudo o que eu disse sobre o kmaradinha Law Tissot pode ser comprovado em seu ótimo blogue, Setor 8 (linque aí ao lado, no menu de BlogZ)
também coincidentemente, o ministro das comunicações, hélio costa, durante uma entrevista, sugeriu que as pessoas - jovens, em especial - deveriam perder menos tempo com a internet, dedicando mais tempo à leitura de jornais, vendo mais tv...
continua - e termina - amanhã.
ps - tudo o que eu disse sobre o kmaradinha Law Tissot pode ser comprovado em seu ótimo blogue, Setor 8 (linque aí ao lado, no menu de BlogZ)
8.10.09
o 'papel' do papel [2]
o artista gráfico Law Tissot é gaúcho, mora em Rio Grande, cidade litorânea do RS, onde é professor do ensino regular, arte-educador, integra o coletivo coordenador de um dos Pontos de Cultura do MinC e, último, mas não menos importante, zineiro desde a adolescência, colocando, desde então, o seu vigoroso traço nas mais diversas zines.
assim como ele, também faço zines desde adolescência.
assim como ele, também comecei desenhando (ele continua. ainda bem. eu parei. ainda bem).
assim como ele, também tenho projetos como arte-educador, com minhas oficinas de zine.
assim como ele, também estou ligado ao MinC.
assim como ele - muito importante -, sou 'cria' da cultura punk.
assim como ele, tenho um projeto para zines (sobre o dele falarei amanhã. sobre o meu, quando der).
nossas jornadas, pois, sem que soubéssemos disso, sempre correram em paralelo.
só faltava a gente se esbarrar pelaí.
e isso, que bom, aconteceu.

junto a Law, em um dos grupos de trabalho da 1ª Conferência Livre de Comunicação para a Cultura, em Chã Grande, Pernambuco, 3 outros kmaradinhas interessados em propor alguma coisa para a comunicação em papel.
dois destes, bons kmaradinhas, coisa e tal, mas não tiveram huevos para além do primeiro dia de discussão.
já o guerreiro rasta Silas, que criou e integra, em Campinas, uma gráfica popular onde forma crianças e adolescentes de áreas de risco para os mais variados ofícios gráficos, batalhou conosco até o último momento, na plenária final, onde apresentamos - e aprovamos - a proposta que tiramos em nosso grupo de trabalho, que, das mais de 100 formuladas, e das 47 aprovadas para apresentação na plenária final, foi a ÚNICA contemplando o 'universo' do papel.
atenção, zineiros, criadores de HQs e cordelistas, que a proposta é a seguinte:
- "Pulverizar o recurso público gasto com publicidade para fomentar produções impressas independentes (cordeis, hqs, fanzines)".
mas, calma, cambada, que isso foi só o começo.
se, por duas vezes (primeiro, no grupo de trabalho, depois, na plenária final), foi difícil convencer os "alternativos" de que já existia, existe e sempre existirá um mundo além (ou, sei lá, aquém) daquele que veem em seus lap tops, imagine, breve, em dezembro próximo, na 1ª Confecom, convencer os barões de $inhá mídia e seus a$$eclas de que não, eles não são a única 'alternativa' para a comunicação impressa - e, logo, "ei, punk, tira esse seu dedo do NO$$O pudim!!!"
continuo - e explico o porquê - amanhã...
assim como ele, também faço zines desde adolescência.
assim como ele, também comecei desenhando (ele continua. ainda bem. eu parei. ainda bem).
assim como ele, também tenho projetos como arte-educador, com minhas oficinas de zine.
assim como ele, também estou ligado ao MinC.
assim como ele - muito importante -, sou 'cria' da cultura punk.
assim como ele, tenho um projeto para zines (sobre o dele falarei amanhã. sobre o meu, quando der).
nossas jornadas, pois, sem que soubéssemos disso, sempre correram em paralelo.
só faltava a gente se esbarrar pelaí.
e isso, que bom, aconteceu.

junto a Law, em um dos grupos de trabalho da 1ª Conferência Livre de Comunicação para a Cultura, em Chã Grande, Pernambuco, 3 outros kmaradinhas interessados em propor alguma coisa para a comunicação em papel.
dois destes, bons kmaradinhas, coisa e tal, mas não tiveram huevos para além do primeiro dia de discussão.
já o guerreiro rasta Silas, que criou e integra, em Campinas, uma gráfica popular onde forma crianças e adolescentes de áreas de risco para os mais variados ofícios gráficos, batalhou conosco até o último momento, na plenária final, onde apresentamos - e aprovamos - a proposta que tiramos em nosso grupo de trabalho, que, das mais de 100 formuladas, e das 47 aprovadas para apresentação na plenária final, foi a ÚNICA contemplando o 'universo' do papel.
atenção, zineiros, criadores de HQs e cordelistas, que a proposta é a seguinte:
- "Pulverizar o recurso público gasto com publicidade para fomentar produções impressas independentes (cordeis, hqs, fanzines)".
mas, calma, cambada, que isso foi só o começo.
se, por duas vezes (primeiro, no grupo de trabalho, depois, na plenária final), foi difícil convencer os "alternativos" de que já existia, existe e sempre existirá um mundo além (ou, sei lá, aquém) daquele que veem em seus lap tops, imagine, breve, em dezembro próximo, na 1ª Confecom, convencer os barões de $inhá mídia e seus a$$eclas de que não, eles não são a única 'alternativa' para a comunicação impressa - e, logo, "ei, punk, tira esse seu dedo do NO$$O pudim!!!"
continuo - e explico o porquê - amanhã...
7.10.09
o 'papel' do papel
de 24 a 27 de setembro, estive em Chã Grande, zona da mata pernambucana, a 80 km de Recife, como um dos representantes do Ministério da Cultura na 1ª Conferência Livre de Comunicação para a Cultura.

esse foi, digamos, o meu lado A, ou oficial, na coisa, uma vez que coordeno a comunicação institucional de uma das seis secretarias do ministério.
e cumpri direitinho o 'papel' que me coube, mediando mesas de debates entre os mais diversos representantes da sociedade civil e participando, no final, da sistematização das 47 propostas que, a partir de mais de uma centena destas, serão encaminhadas para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) - aleluia! essa foi (mais) uma conquista suada de inúmeros membros deste governo, com empenho pessoal de Lula - que será realizada em dezembro deste ano, bem como para a 2ª Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá em março do ano que vem.
mas participei, ainda - e com igual empenho, com o meu lado Z, que compreende, além do cidadão, o zineiro e militante (há anos) pela livre comunicação.
e, como tal, tinha o direito, comum a todos os participantes, de criar e sugerir propostas que, breve, depois de muito debate, poderão se tornar políticas públicas que contemplarão os interesses e propósitos de qualquer cidadão.
além de uma alegria imensa, uma honra idem por poder participar disso.
não imaginava, nem no mais doirado dos sonhos, que um dia serviria ao governo pelo qual, como tantas e muitos, lutei por quase 30 anos para ver aí, sacudido e sacudindo, e dizia sempre que se um dia acontecesse uma conferência para se discutir a comunicação neste país, eu gostaria de participar nem que fosse como faxineiro do pavilhão onde fosse realizada, só para poder acompanhar a escrita de um capítulo histórico.
vida que segue, tempo que passa, tô eu trabalhando nesse governo, e gracias, hoje e sempre, a tod@s que, penhorando sua confiança, me deram a chance de, como parte do todo, participar da conferência de uma forma não menos digna que a de um faxineiro, mas um bocadinho mais efetiva.
tenho participado das discussões para a Confecom desde o início, sem nunca ter escondido de ninguém do lado A que o lado Z também participaria - no caso, lutando por propostas que contemplem um 'universo' cujo signo é a marginalidade, à qual, em tempos de virtualidade, tem sido ainda mais relegado, que é o 'universo' das publicações impressas independentes (zines, HQs, cordéis e livros bancados pelos próprios autores), ou, o 'universo' do papel.
não foi nada difícil convencer as chefias de quão importante é (ou deveria ser) o 'papel' do papel, quer na cultura, quer na comunicação.
mas convencer os participantes da 1ª Conferência Livre de Comunicação para a Cultura...
participaram da mesma, aproximadamente, umas 300 pessoas oriundas e militantes dos mais diversos lugares e movimentos, respectivamente, mas, comum a 99,86% das gentes, o pensamento e a formulação de propostas exclusivamente para o 'universo' digital, como se nada mais importasse, ou mesmo existisse, para a comunicação.
vendo e ouvindo tudo isso, pensei: vai ser ainda mais foda do que imaginei. se eu falar em papel, aqui, essa imensa maioria de jovens "alternativos" da classe média vai sugerir aos meus colegas de organização que me recolham a um asilo, ou, sei lá, a um hospício...
mas, aí...
o fato é que um burro sempre cheira o outro.
vai vendo.
essas 300 pessoas foram divididas em grupos de trabalho, para a discussão de propostas que atendessem aos eixos temáticos da conferência.
escolhi o eixo que deveria discutir produção e distribuição de conteúdo informativo e cultural.
quando cheguei ao local designado para tal, uma imensa roda já estava formada, com a maior parte do bando já executando uma estranha sinfonia, com um alarido de vozes fazendo "coro" por questões digitais, acompanhado pelo monocórdico som de tec-tecs saídos de seus laptops...
me senti, confesso, mais que triste, completamente sem lugar, com o que ganhou formas ainda mais nítidas a seguinte imagem: eu, vestindo um camisolão, com a buzanfa aparecendo, sendo assistido por enfermeiros que, entre a perplexidade e a comiseração, tentavam entender o que, com um toco de carvão, eu escrevia e desenhava em meu babador...
mas, de repente, uma imagem me prende a atenção: um kmaradinha, num canto lá, rabiscava, alegre e freneticamente, um bloco de papel.
qual um Crusoé no momento exato em que, pela primeira vez, vê Sexta-feira - ou vice-versa -, pensei: esse carinha é dos meus, ou, no mínimo, um potencial parceiro de sanatório...
me cheguei na miúda, e, quando lhe vi o traço, aquela inconfundível e, para mim, esplêndida estética punk (logo, só podia ser - ou ter sido, algum dia - zineiro), tive que conter o impulso de sapecar-lhe beijos nas bochechas, bradando: um igual, um igual!

ainda bem que não o fiz, pois o cara é gaúcho, e, logo, das duas, uma: ou sacaria o facão e me fatiaria a pança em bifes, ou, misturando ternura e firmeza, brandindo o facão sob meu nariz - ou, brrrr..., sob meu coiso - ordenaria:
- mas, bah! já que começaste, agora termina o serviço, tchê!
mas, claro, nada disso aconteceu.
deu-se, isso sim, outra e muito melhor conexão.
continua amanhã...

esse foi, digamos, o meu lado A, ou oficial, na coisa, uma vez que coordeno a comunicação institucional de uma das seis secretarias do ministério.
e cumpri direitinho o 'papel' que me coube, mediando mesas de debates entre os mais diversos representantes da sociedade civil e participando, no final, da sistematização das 47 propostas que, a partir de mais de uma centena destas, serão encaminhadas para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) - aleluia! essa foi (mais) uma conquista suada de inúmeros membros deste governo, com empenho pessoal de Lula - que será realizada em dezembro deste ano, bem como para a 2ª Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá em março do ano que vem.
mas participei, ainda - e com igual empenho, com o meu lado Z, que compreende, além do cidadão, o zineiro e militante (há anos) pela livre comunicação.
e, como tal, tinha o direito, comum a todos os participantes, de criar e sugerir propostas que, breve, depois de muito debate, poderão se tornar políticas públicas que contemplarão os interesses e propósitos de qualquer cidadão.
além de uma alegria imensa, uma honra idem por poder participar disso.
não imaginava, nem no mais doirado dos sonhos, que um dia serviria ao governo pelo qual, como tantas e muitos, lutei por quase 30 anos para ver aí, sacudido e sacudindo, e dizia sempre que se um dia acontecesse uma conferência para se discutir a comunicação neste país, eu gostaria de participar nem que fosse como faxineiro do pavilhão onde fosse realizada, só para poder acompanhar a escrita de um capítulo histórico.
vida que segue, tempo que passa, tô eu trabalhando nesse governo, e gracias, hoje e sempre, a tod@s que, penhorando sua confiança, me deram a chance de, como parte do todo, participar da conferência de uma forma não menos digna que a de um faxineiro, mas um bocadinho mais efetiva.
tenho participado das discussões para a Confecom desde o início, sem nunca ter escondido de ninguém do lado A que o lado Z também participaria - no caso, lutando por propostas que contemplem um 'universo' cujo signo é a marginalidade, à qual, em tempos de virtualidade, tem sido ainda mais relegado, que é o 'universo' das publicações impressas independentes (zines, HQs, cordéis e livros bancados pelos próprios autores), ou, o 'universo' do papel.
não foi nada difícil convencer as chefias de quão importante é (ou deveria ser) o 'papel' do papel, quer na cultura, quer na comunicação.
mas convencer os participantes da 1ª Conferência Livre de Comunicação para a Cultura...
participaram da mesma, aproximadamente, umas 300 pessoas oriundas e militantes dos mais diversos lugares e movimentos, respectivamente, mas, comum a 99,86% das gentes, o pensamento e a formulação de propostas exclusivamente para o 'universo' digital, como se nada mais importasse, ou mesmo existisse, para a comunicação.
vendo e ouvindo tudo isso, pensei: vai ser ainda mais foda do que imaginei. se eu falar em papel, aqui, essa imensa maioria de jovens "alternativos" da classe média vai sugerir aos meus colegas de organização que me recolham a um asilo, ou, sei lá, a um hospício...
mas, aí...
o fato é que um burro sempre cheira o outro.
vai vendo.
essas 300 pessoas foram divididas em grupos de trabalho, para a discussão de propostas que atendessem aos eixos temáticos da conferência.
escolhi o eixo que deveria discutir produção e distribuição de conteúdo informativo e cultural.
quando cheguei ao local designado para tal, uma imensa roda já estava formada, com a maior parte do bando já executando uma estranha sinfonia, com um alarido de vozes fazendo "coro" por questões digitais, acompanhado pelo monocórdico som de tec-tecs saídos de seus laptops...
me senti, confesso, mais que triste, completamente sem lugar, com o que ganhou formas ainda mais nítidas a seguinte imagem: eu, vestindo um camisolão, com a buzanfa aparecendo, sendo assistido por enfermeiros que, entre a perplexidade e a comiseração, tentavam entender o que, com um toco de carvão, eu escrevia e desenhava em meu babador...
mas, de repente, uma imagem me prende a atenção: um kmaradinha, num canto lá, rabiscava, alegre e freneticamente, um bloco de papel.
qual um Crusoé no momento exato em que, pela primeira vez, vê Sexta-feira - ou vice-versa -, pensei: esse carinha é dos meus, ou, no mínimo, um potencial parceiro de sanatório...
me cheguei na miúda, e, quando lhe vi o traço, aquela inconfundível e, para mim, esplêndida estética punk (logo, só podia ser - ou ter sido, algum dia - zineiro), tive que conter o impulso de sapecar-lhe beijos nas bochechas, bradando: um igual, um igual!

ainda bem que não o fiz, pois o cara é gaúcho, e, logo, das duas, uma: ou sacaria o facão e me fatiaria a pança em bifes, ou, misturando ternura e firmeza, brandindo o facão sob meu nariz - ou, brrrr..., sob meu coiso - ordenaria:
- mas, bah! já que começaste, agora termina o serviço, tchê!
mas, claro, nada disso aconteceu.
deu-se, isso sim, outra e muito melhor conexão.
continua amanhã...
5.10.09
4.10.09
o macho sensível
Sinatra foi o mais popular exemplo do tipo que dá título a esta postagem.
ponto.
mas não foi, claro, o único.
ponto e vírgula.
muito antes, quando o máximo que Sinatra tirava do gogó eram gu-gu-da-dás, grandes machos do blues já haviam se mostrado capazes dos, digamos assim, melhores piores sentimentos que o amor pode inspirar - e o faziam com tal intensidade emocional, que, ouvindo-os, a impressão que se tem é a de que passaram meses olhando para uma foto da dama, entornando galões de bourbon, mastigando o vidro dos copos e lambendo cinzeiros, tudo para que os versos em que lamentam a partida da bandida ganhassem maior e mais dolorosa legitimidade.
pra quem duvida, sugiro a audição de Louise, com Howlin' Wolf.
mas Sinatra, com imenso talento (e marketing idem), tornou-se o 'modelo'.
no Brasil, só pra citar 3 artistas mais emblemáticos, tivemos Lupicínio Rodrigues, Nelson Gonçalves e Tim Maia.
Lupicínio fez disso um meio de vida; logo, ilegítimo - além do quê, era guasca demais para, de fato, na dita "vida real", sofrer tanto por uma dama, que dirá passar recibo disso.
sobre Nelson, bem, basta dizer que foi do tempo em que pra se gravar um disco tinha que ser de uma enfiada só, pois um mísero erro fodia com todo o trabalho, compreendendo gravar tudo de novo (o disco inteiro, bem entendido), e o pior: mais custos, os quais eram descontados do artista.
Nelson não errava uma sílaba (e, registre-se, era gago...), o que nos leva à dedução de que sabia (e sentia) exatamente ao que correspondia cada verso a que dava legitimidade com seu vozeirão.
porém, quando o pó quase o transformou em cinzas, a guerreira com que era casado segurou legal a barra, fazendo-o, depois, ter olhos (e todo o resto) apenas para ela.
continuou a cantar o amor e seus infortúnios, só que não mais como protagonista, mas como observador dos sofridos tipos que conhecera bas fond afora.
já Tim Maia...
romântico (e galinha) incurável, em seus mais de 50 anos de vida, mais de 30 de carreira, nunca houve um seu disco em que, no mínimo, metade das canções não versasse sobre as fossas e galhadas que colecionava envolvendo-se com as mais variadas tipas, das putas que contratava só para, assistindo a um capítulo de novela, ganhar um cafuné até dormir feito um neném, passando por donzelas tijucanas, chegando a semi-deusas da zona sul carioca, que, saciado o fetiche pelo negão suburbano, voltavam para suas doiradas vidinhas (e seus maridinhos idem), fatiando-lhe o coração qual salame fosse.
mas, diferindo dos dois outros colegas, Tim não cantava apenas as colossais agruras da paixão, dando igual valor (e beleza artística) aos momentos mágicos que esse sentimento, como nenhum outro, promove.
um belo exemplo disso é a belíssima "Primavera", cuja autoria, no entanto, não é de Tim, mas de um outro e talentoso macho sensível, ao qual o reconhecimento sorriu umas poucas vezes apenas.
Cassiano nasceu na Paraíba, mas, ainda jovem, mudou-se com a família para o Rio, onde foi criado e ainda vive.
na Tijuca, onde morava, conheceu o nativo Tim e outra futura fera (igual e injustamente pouco reconhecida), o baiano Hyldon, e formaram o primeiro grupo de suas carreiras, Os Diagonais, no qual interpretavam clássicos da febre da época, a Bossa Nova.
vida que segue, Tim foi morar nos EUA, foi deportado, tentou entrar na Jovem Guarda, mas, para sua mágoa eterna, Roberto Carlos, seu amigo de infância - e que, na época das vacas magras, almoçava de graça na pensão dos pais de Tim -, embaçou, temendo associar a sua imagem de rapaz de bem à do doidão da Tijuca...
mas, com a ajuda dos Mutantes e, veja você, de Erasmo Carlos, que conhecia desde os primeiros shorts, Tim "estourou", e o melhor: sem aderir ao iê-iê-iê da Jovem Guarda, mas misturando à soul music que conhecera e devorara em sua passagem pelos EUA temperos bem brasileiros, tais como baião, samba etc.
enquanto isso, seus chapas Hyldon e Cassiano ainda na mesma, se apresentando em lugares inexpressivos para públicos que viam na música apenas um modo de chamar uma dama na chincha - nem aí, pois, para a beleza de suas canções, melodiosas (soul music, afinal) e, comum a ambos, com versos simples, fáceis de se cantar, mas de profunda beleza, difíceis de se criar igual.
Tim, que nunca fora bobo, tampouco ingrato, rapidinho começou a gravar as canções de Cassiano e Hyldon, tornando-as sucessos estrondosos - para todos.
mas, em algum momento, as carreiras de Hyldon e Cassiano empacaram, e só voltariam a ter destaque novamente com a gravação do formidável disco Velhos Camaradas, que Tim, com sua imensa popularidade entre as mais diversas camadas sociais, catapultou à condição de sucesso - e, de novo, colocou os velhos amigos em merecida evidência.
tempo que passa, Cassiano e Hyldon, uma vez mais, voltaram ao patamar de reconhecimento apenas por parte de "iniciados" e "entendidos", e o mais grave: agora, sem Tim para dar-lhes os providenciais empurrõezinhos...
adoro Hyldon, mas Cassiano, sua voz e suas canções, é que fazem o coração deste bruto ficar mais carmim, com as veias, qual fitas de cetim, adornando-o em laços cheios de curvinhas e frufrus.
há quem, em se tratando do bom Cassiano, se derreta pela belíssima A Lua e Eu, seu maior sucesso (individual, digo).
eu, entretanto, prefiro a combinação de doçura e firmeza da canção aí abaixo.
afinal, hay que enternecer, pero sin perder la cabeza...
A Lua e Eu e Coleção são do, minha opinião, seu melhor álbum, o esplêndido Cuban Soul, de 1976, e o macho que, após ouvi-lo, disser que não gostou merece passar o resto dos dias ao lado de uma dama que, sozinha, represente todas as donas que inspiraram boleros os mais trágicos, bem como as piores fossas - ainda que de mentirinha - do Lupicínio.
y tengo dito.
ponto.
mas não foi, claro, o único.
ponto e vírgula.
muito antes, quando o máximo que Sinatra tirava do gogó eram gu-gu-da-dás, grandes machos do blues já haviam se mostrado capazes dos, digamos assim, melhores piores sentimentos que o amor pode inspirar - e o faziam com tal intensidade emocional, que, ouvindo-os, a impressão que se tem é a de que passaram meses olhando para uma foto da dama, entornando galões de bourbon, mastigando o vidro dos copos e lambendo cinzeiros, tudo para que os versos em que lamentam a partida da bandida ganhassem maior e mais dolorosa legitimidade.
pra quem duvida, sugiro a audição de Louise, com Howlin' Wolf.
mas Sinatra, com imenso talento (e marketing idem), tornou-se o 'modelo'.
no Brasil, só pra citar 3 artistas mais emblemáticos, tivemos Lupicínio Rodrigues, Nelson Gonçalves e Tim Maia.
Lupicínio fez disso um meio de vida; logo, ilegítimo - além do quê, era guasca demais para, de fato, na dita "vida real", sofrer tanto por uma dama, que dirá passar recibo disso.
sobre Nelson, bem, basta dizer que foi do tempo em que pra se gravar um disco tinha que ser de uma enfiada só, pois um mísero erro fodia com todo o trabalho, compreendendo gravar tudo de novo (o disco inteiro, bem entendido), e o pior: mais custos, os quais eram descontados do artista.
Nelson não errava uma sílaba (e, registre-se, era gago...), o que nos leva à dedução de que sabia (e sentia) exatamente ao que correspondia cada verso a que dava legitimidade com seu vozeirão.
porém, quando o pó quase o transformou em cinzas, a guerreira com que era casado segurou legal a barra, fazendo-o, depois, ter olhos (e todo o resto) apenas para ela.
continuou a cantar o amor e seus infortúnios, só que não mais como protagonista, mas como observador dos sofridos tipos que conhecera bas fond afora.
já Tim Maia...
romântico (e galinha) incurável, em seus mais de 50 anos de vida, mais de 30 de carreira, nunca houve um seu disco em que, no mínimo, metade das canções não versasse sobre as fossas e galhadas que colecionava envolvendo-se com as mais variadas tipas, das putas que contratava só para, assistindo a um capítulo de novela, ganhar um cafuné até dormir feito um neném, passando por donzelas tijucanas, chegando a semi-deusas da zona sul carioca, que, saciado o fetiche pelo negão suburbano, voltavam para suas doiradas vidinhas (e seus maridinhos idem), fatiando-lhe o coração qual salame fosse.mas, diferindo dos dois outros colegas, Tim não cantava apenas as colossais agruras da paixão, dando igual valor (e beleza artística) aos momentos mágicos que esse sentimento, como nenhum outro, promove.
um belo exemplo disso é a belíssima "Primavera", cuja autoria, no entanto, não é de Tim, mas de um outro e talentoso macho sensível, ao qual o reconhecimento sorriu umas poucas vezes apenas.
Cassiano nasceu na Paraíba, mas, ainda jovem, mudou-se com a família para o Rio, onde foi criado e ainda vive.
na Tijuca, onde morava, conheceu o nativo Tim e outra futura fera (igual e injustamente pouco reconhecida), o baiano Hyldon, e formaram o primeiro grupo de suas carreiras, Os Diagonais, no qual interpretavam clássicos da febre da época, a Bossa Nova.
vida que segue, Tim foi morar nos EUA, foi deportado, tentou entrar na Jovem Guarda, mas, para sua mágoa eterna, Roberto Carlos, seu amigo de infância - e que, na época das vacas magras, almoçava de graça na pensão dos pais de Tim -, embaçou, temendo associar a sua imagem de rapaz de bem à do doidão da Tijuca...
mas, com a ajuda dos Mutantes e, veja você, de Erasmo Carlos, que conhecia desde os primeiros shorts, Tim "estourou", e o melhor: sem aderir ao iê-iê-iê da Jovem Guarda, mas misturando à soul music que conhecera e devorara em sua passagem pelos EUA temperos bem brasileiros, tais como baião, samba etc.
enquanto isso, seus chapas Hyldon e Cassiano ainda na mesma, se apresentando em lugares inexpressivos para públicos que viam na música apenas um modo de chamar uma dama na chincha - nem aí, pois, para a beleza de suas canções, melodiosas (soul music, afinal) e, comum a ambos, com versos simples, fáceis de se cantar, mas de profunda beleza, difíceis de se criar igual.
Tim, que nunca fora bobo, tampouco ingrato, rapidinho começou a gravar as canções de Cassiano e Hyldon, tornando-as sucessos estrondosos - para todos.
mas, em algum momento, as carreiras de Hyldon e Cassiano empacaram, e só voltariam a ter destaque novamente com a gravação do formidável disco Velhos Camaradas, que Tim, com sua imensa popularidade entre as mais diversas camadas sociais, catapultou à condição de sucesso - e, de novo, colocou os velhos amigos em merecida evidência.
tempo que passa, Cassiano e Hyldon, uma vez mais, voltaram ao patamar de reconhecimento apenas por parte de "iniciados" e "entendidos", e o mais grave: agora, sem Tim para dar-lhes os providenciais empurrõezinhos...
adoro Hyldon, mas Cassiano, sua voz e suas canções, é que fazem o coração deste bruto ficar mais carmim, com as veias, qual fitas de cetim, adornando-o em laços cheios de curvinhas e frufrus.
há quem, em se tratando do bom Cassiano, se derreta pela belíssima A Lua e Eu, seu maior sucesso (individual, digo).
eu, entretanto, prefiro a combinação de doçura e firmeza da canção aí abaixo.
afinal, hay que enternecer, pero sin perder la cabeza...
A Lua e Eu e Coleção são do, minha opinião, seu melhor álbum, o esplêndido Cuban Soul, de 1976, e o macho que, após ouvi-lo, disser que não gostou merece passar o resto dos dias ao lado de uma dama que, sozinha, represente todas as donas que inspiraram boleros os mais trágicos, bem como as piores fossas - ainda que de mentirinha - do Lupicínio.
y tengo dito.
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